quinta-feira, 18 de abril de 2019

A TÃO SONHADA VELHICE

Maria das Graças Santos 

Outro dia, um amigo que havia saído de uma situação de risco, comentou que a morte era ingrata e covarde porque ameaça e rejeita. Discordo porque até mesmo os frutos das árvores são ameaçados pelas tempestades e não caem, porque não chegou a sua hora.
 
O livro de Eclesiastes diz que há tempo para nascer e para morrer. Analisando à luz do que posso ver e entender, é que se a tal lhe rejeitou, é porque não estava no tempo. Já que ela é imparcial, não escolhe por raça, intelectualidade, poder aquisitivo, religião e outros. A doença sim, esta é covarde, nos visita sem ser convidada, maltrata e dá uma certa proteção a uns, oferecendo bons médicos, hospitais e proteção total. 

Aproveito para juntar a estas duas personagens, outra que todos falam, esperam, mas quando ela chega, às vezes, começam a sofrer e refletir, tendo até crise existencial. Refiro-me à tão sonhada velhice. O que ela nos traz de bom? Há um grande paradoxo, pois traz dores, enfados, lembranças de amores vividos, e de outros que pensamos ter vivido, mas que já morreram. No entanto, nos honra com a experiência, os amigos que conquistamos e sempre uma boa história para contar.


De um lado, a certeza que as rugas e os cabelos brancos são troféus conquistados e que muitos continuam concorrendo para chegar ao pódio, que esta nos colocou com vigor e esperança. De outro, a incerteza se a conquistará e celebrará ao passar pelas curvas desta estrada tão bela, a vida. 

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